
Aprendi muito com Eslen. Ele resgatou minha crença na psicologia, mostrou-me a vertente comportamental baseada em evidências e ciência, alinhada com a neurociência — tão próxima das filosofias que mais acredito: Nietzsche, Espinosa, Deleuze.
Mudar meus comportamentos tem me ajudado a viver melhor.
Eslen é um underdog que deu sorte. Estudou em faculdade privada, veio de família pobre, do interior, e através do esforço — dando a cara, se expondo, fazendo — construiu seu patrimônio sozinho.
Não é herdeiro, tampouco gênio. É esforço, resiliência e a inteligência de explorar um nicho. O que há de verdadeiro nele é sua capacidade de adaptação, de evolução, de determinação e de consciência prática. Ele sabe executar projetos, sabe colocar ideias em ação.
Sua força maior, no entanto, é como comunicador, professor e didática.
Não é brilhante — vejo lacunas evidentes em sua formação intelectual — mas entende da sua área: psicologia comportamental e neurociência. E eu tenho a ética de sempre aprender com quem sabe mais que eu em determinado campo. Aquilo com que não concordo, ignoro.
A plataforma que ele criou é uma ótima alternativa para quem não pode pagar psicoterapia: preço justo e conceito claro — o RD, o “reservatório de dopamina”, sobre o qual já escrevi.
Mas Eslen, como influenciador, se perdeu totalmente. Foi aí que veio minha ruptura. Como diz Nietzsche, ele se tornou um novo guru para a massa ignara — um pastor de rebanho que precisa de alguém que anuncie uma verdade para que eles a sigam. Esse é o papel do coach das redes sociais.
Esse Eslen não me serve.
O pessoal que participa do RD realmente está acima da curva de Gauss da banalidade social. Mas os seguidores de Eslen nas redes seguem a média rasa do Instagram.
Fiz uma crítica: a esposa dele, apesar da boa formação, ser o oposto dele — rica, vinda da elite escolar — é incapaz de se expressar, incapaz de dominar a gramática básica. Minha crítica foi à incoerência cultural e educacional.
Mas os seguidores dele não entenderam a ideia. Em vez de analisar o argumento, atacaram-me pessoalmente — puro ad hominem. Sintoma dos tempos: o bonito é ser ignorante.
É por isso que não tenho redes sociais. É por isso que escrevo no Recanto das Letras.
Meu Instagram fantasma existe apenas como uma dica do próprio Eslen: modular meu microambiente para ter motivação para treinar.
Por isso, só sigo perfis que me inspiram: pessoas que treinam, perfis de cultura, desenvolvimento pessoal, moda e estilo. Ensinei o algoritmo a me mostrar apenas o que me motiva — treino, elegância, referências de looks que me deem ideias.
Nada de mulheres ou sexualização: sempre que aparece, clico em “não tenho interesse”. Esse Instagram existe só para isso.
E, confesso, também para verificar se aquela tal pessoa e alguns amigos ainda estão vivos.
Sinceramente, os comentários que Eslen recebe não chegam perto dos poucos que recebo. Mesmo com minhas modestas quarenta mil leituras, os leitores que me acompanham contribuem intelectualmente.
No Instagram dele, há mais de dois milhões de seguidores, mas os comentários são rasos: frases soltas e emoticons — como os neandertais riscavam nas cavernas.
No Recanto, ainda que me frustre ter em média apenas 30 leituras por texto, a profundidade é outra. É difícil aceitar que alguém leia e não deixe nada a acrescentar numa rede literária, mas mesmo os poucos comentários que recebo são muito mais densos.
Eu não troco os seguidores do Eslen por uma Flora, um Miguel Carqueija, pela double N, minha leitora mais brilhante (o amor da minha vida?), Maria Cândida, uma Kathmandu, um Paulo Miranda, o Professor de Filosofia Fácil, o Argônio e até o Raffert.
Não falo apenas de mim: todos eles mereciam estar organicamente entre os mais lidos da semana, e não figuras como Leila Angélica, Chico Gois, Adrisil, ou a tal “Costura de Pensamento” — que, com todo respeito, não passam de trocadores de leitores. São um pedaço do Instagram infiltrado no Recanto. Na minha opinião, prestam um desserviço à plataforma.
Mas me contento com quem, de livre e espontânea vontade, acessa minha página. Seja aqui, seja no meu site (daveledave.recantodasletras.com.br), muitos já colocaram nos favoritos.
Se as estatísticas são reais, só neste agosto já foram 1.084 acessos, e estamos apenas no dia 7.

Isso me basta.
Muito obrigado!