
Meus leitores mais assíduos vão lembrar do caso da menina colegial que vi saindo da perua escolar há uns anos atrás. A tia disse: “olha que mulherão!”. Eu me virei para trás e, pelo que vi, concordei com a tia. Quando ela virou nossos olhos se encontraram.
Ontem, depois da minha caminhada noturna de 20 minutos digestiva, na volta encontrei ela, já crescida. O namorado a esperava num carro da Friboi. Era sexta-feira à noite. Eles se beijaram nos lábios e partiram, talvez para um motel, quem sabe.
Ela continuava linda, fazendo justiça às previsões. Porém, seu namorado destoava da aparência. Mas é simbólico: o carro da Friboi já é uma previsão de qual será o destino dele — de boi.
Algumas mulheres que me conhecem de vista percebem que, quando as vejo com seus namorados, até baixam a cabeça. Isso que eu só posso julgar a aparência — imagina o conteúdo.
Sinceramente, eu não entendo essas garotas do “namorado Friboi” e de outras categorias parecidas. Escolhem talvez um parceiro por carência, sem sequer bom gosto para escolher. Porém, mesmo a aparência é um bem passageiro.
Às vezes vejo uns homens acompanhados de garotas… e esses homens desatentam tanto à estética quanto ao português. Muita dificuldade com concordância nominal e verbal, principalmente com o plural. Se no auge da vida já são assim, imagina quando velhos?
Mas será que as mulheres se fazem essa pergunta: como ele será quando envelhecer?
Por isso, alguns relacionamentos são sustentados por filhos, gatos… ou bebês reborns.
A mulher amadurece mais rápido que o homem — é verdade. Porém, elas aceitam os homens imaturos por escolha… ou por falta de opção mesmo, sejam elas jovens ou maduras.
Por outro lado, os homens envelhecem melhor. Mesmo idosos, alguns continuam charmosos. Mas isso só acontece quando se envelhece com elegância, conteúdo e experiência.
Veja as entrevistas de Woody Allen com o Bial — ele continua brilhante e engraçado.
Ou a palestra de Suassuna, aos 84 anos, lúcido, hilário, genial — como citei no meu texto anterior, aqui:
CENSURA NO RECANTO DAS LETRAS: RESPOSTA!
O bom homem — o verdadeiro “bom partido” — não é só aquele que é bonito no agora. É aquele que é elegante, engraçado, interessante… e continuará a sê-lo no futuro.
Mas a maioria nem no passado, nem no presente — e muito menos no futuro — consegue ser sequer o mínimo.