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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

💌 DIA DOS NAMORADOS COM DAVID BOWIE E DAVE LE DAVE 🪐




 

Talvez, depois de Elvis, ninguém na música tenha sido tão vanguardista quanto Bowie. Fez de tudo antes de qualquer um ter feito alguma coisa. Um camaleão. Teve várias personas e identidades.

 

Surgiu nos anos 60 com um folk psicodélico e imortalizou o personagem Space Oddity, o Major Tom. Seus discos consagraram os álbuns temáticos e conceituais, como poucos. Um gênero que depois rendeu obras como Funeral, do Arcade Fire (um lamento sobre a perda de um filho), Yoshimi Battles the Pink Robots do Flaming Lips, Plastic Beach e Demon Days do Gorillaz — todos discos que eu amo, verdadeiras fusões entre música e quase-arte.

 

Mas foi nos anos 70 que Bowie ultrapassou todos os limites, com Ziggy StarDust. Inspirado nesse personagem em 1976, estrelou o icônico alienígena no filme “O Homem que Caiu na Terra”, dirigido por Nicolas Roeg (aquele que foi diretor de fotografia de Lawrence da Arábia). O filme está disponível no MUBI, pra você assistir agarradinho com sua gata neste Dia dos Namorados.

 

Depois veio Halloween Jack, a fase inspirada em 1984, de Orwell. A seguir, a fase soul do disco Young Americans, onde Bowie era um branquelo magrelo e cocainômano. No final dos anos 70, minha fase favorita: a Trilogia de Berlim, de Heroes, em que ele aparece no filme alemão Christiane F. — aquele muito apropriado para ver com a cremosa neste 12 de junho: menina de 14 anos, drogada e prostituída. Um baita filme romântico.

 

Em seguida, vieram a fase disco e o pop estourado de Modern Love (talvez minha música preferida dele) e Let’s Dance.

 

Após um hiato nos anos 90, Bowie retornou nos anos 2000. Seu último disco, lançado em 2013, foi The Next Day. Ao contrário de tudo o que ele havia feito antes, esse álbum é sóbrio, minimalista e despersonalizado. A capa traz o rosto de Bowie… apagado. Um retrato paradoxal: o homem de mil rostos sem rosto algum.
 

 

Um testamento íntimo, que recusa personagens e aparências. Três anos depois, ele morreria. Como David Bowie, o gênio — um desfile de personas, que nos deixou a si mesmo através de sua obra.

 

Minha música favorita desse último disco é justamente Valentine’s Day, que dá título a este texto e que incluí na homepage do meu site:

 

👉 daveledave.recantodasletras.com.br

 

Essa é a minha homenagem a todos os amantes, com ou sem namorada.

Feliz Dia dos Namorados.

Com amor (e Bowie),

Dave Le Dave

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 12/06/2025
Alterado em 12/06/2025
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