Eu nem conto mais os dias que estou sem beber álcool e cheirar pó. Tudo parece tão longínquo que, quando penso no passado, nem parece que era eu aquele que vivia com o nariz entupido e assoando porque já não tinha mais onde entrar tanto pó.
Meu nariz era mais funcional que um aspirador de pó Walita. Se o Apolinaro ouvisse eu falar da função de aspirar pó no nariz, ele ia querer vender na Polishop.
Eu brinco com um assunto sério. Eu tive tanto medo no começo. Quem acompanha meus textos desde sempre sabe como foi difícil (uma pessoa — beijos, amor, te amo). Eu pedi, procurei ajuda de desconhecidos por conta própria. Mas a ajuda não veio.
Tive que me virar sozinho, passar pelas agruras da abstinência sem estrutura, medicação ou acompanhamento — e em casa. Meu estado fisiológico se reflete nos textos da época.
Fui afastado do trabalho e só dormia o dia inteiro. Não sentia vontade de fazer nada. Eu ficava acordado durante o dia por um tempo menor que as horas que durmo atualmente (menos de 8).
Hoje eu acordo às 6h30 sem despertador, porque eu não sou escravo do relógio. Acordo na hora que meu corpo pede, e vou dormir depois das 23h. Meu dia rende com esforço e produtividade — ajudando os próximos e, principalmente, a mim mesmo.
Estou sempre em atividade, movimento. E o mais engraçado: treino tanto, mas estou menos cansado do que quando usava drogas ou estava me recuperando da abstinência. Isso se chama recuperar a ação.
É claro que sinto o cansaço, que espanto naturalmente com água no rosto — ou não tão naturalmente assim, com café, termogênicos, suplementação. Mas é tudo saudável, procuro estar dentro dos limites.
O resultado é de goteira: little by little, step by step, mas aparece. Estou mais pesado, mas muito mais magro. Meus shorts que antes ficavam apertados hoje parecem de gordo em mim, e as calças antigas me cabem, mesmo tendo ganhado 6 quilos.
Mas o barato é louco, e o processo é lento. Porém, há método: primeiro secar, definir, e depois ganhar massa. Não funciona de outra maneira.
Enquanto isso, se ainda não gozo da minha aparência pelada, pelo menos me alegro com minha aparência com roupa. Quase tudo me veste bem, cai bem. Como um modelo — mas sem a parte da beleza.
E tudo que era difícil hoje parece estar tão fácil.
Eu dedico esse prêmio à minha família, a quem acreditou em mim, ao amor da minha vida (embora ela não tenha feito muita coisa além de torcer — mas isso é vital), e às minhas inimigas também, cuja inveja e recalque me enchem de ânimo.