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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

Queiramos QUERER Quem Nos QUEIRA

 

Muitos não entendem por que, tendo tantas opções, insisto justamente em quem não me quer. Mas essa é apenas a primeira impressão. Nossa história não começou agora — ela vem desde 2015. Não é possível que uma relação construída na amizade e no entendimento tenha se tornado, sem que eu tenha feito nada, motivo para que ela quase precise de um mandato judicial para me afastar, me ameace de morte e acione polícia e advogados.

 

De lá para cá, só evoluí: intelectualmente, fisicamente, esteticamente, em maturidade e em todos os sentidos. E ela, pelo que sei, continua praticamente a mesma, o que é bom, porque já era incrível. A única mudança visível é que tem se moldado cada vez mais ao papel imposto pela sociedade de médica, abrindo mão dos cuidados consigo mesma, com sua mente e seu corpo. Isso é perceptível. Mas, para mim, ela ainda é linda — e sempre será. O amor ou desconhece ou ignora as imperfeições, e até enxerga beleza nelas. Ou, no processo de cristalização, como chamou Stendhal, vê perfeições onde não há.

 

A Bolha

O bloqueio que recebi de uma colega dela, também pediatra, me fez pensar. Uma médica da mesma área que eu — ainda que temporariamente —, alguém com quem compartilho uma relação profissional. E o motivo? Um comentário totalmente pertinente ao assunto, educado, respeitoso, sem qualquer desvio do tema, em um storie privado. Nada de ataques, nada de assédio, nada de grosseria. Enquanto isso, comentários rudimentares, sem pontuação, apenas elogiando sua aparência, continuam lá, intocados.

 

Isso é uma violência simbólica inacreditável. É a proteção de uma bolha. E, sinceramente, me pergunto: quantos dos seguidores dela, ou dos que ela segue, são mulatos como eu? Um mulato esbelto, bonito, elegante e erudito? Ou será que ela só aceita amizade de médicos? Ou, se não forem médicos, ao menos capitães do mato, que não saibam escrever, desde que sejam brancos e tenham olhos claros? O bloqueio só se justificaria se ela tivesse identificado que era eu — o que torna tudo ainda pior.

 

Beleza Comprada

Para ser bem sincero, tanto a pessoa que amo quanto essa doutora são bonitas, mas não dá para comparar com o auge do meu esplendor físico, elegância e exuberância. Isso, claro, se não aceitarmos preconceituosamente a ideia de que só existe beleza no branco, claro. Essa doutora tem uma pele bem cuidada, graças a produtos dermatológicos, mas é uma beleza comprada. Não natural. Como dizem, não existe mulher feia, existe mulher que não usa Jequiti. Sem maquiagem, ela deve ser bem feinha, coitada. 

A minha Double N, pelo menos, é bela naturalmente, com uma beleza angelical e terna. Além disso, é inteligente, espirituosa e muito carinhosa — não há comparação. Essa doutora parece um robô perto da minha musa, de procedência talvez ítalo-brasileira, ou pelo menos assim passou a ser na minha imaginação fértil.

 

O sorriso dela é branco demais, porque seu dentista é bom, e aquele tom de loiro golpista… sabe? Aquele que vai em manifestação pró-Bolsonaro e pró-golpe de Estado? Nada de mais comparado à minha elegância e beleza naturais, brasileiras, exóticas. E, no nível intelectual, a comparação seria covardia.

 

E Se Ela Me Quiser?

Dizem que devemos querer quem nos quer. Mas e quando a pessoa que amo finge que não me quer, mas quer? Se vive me lendo, se acompanha minha evolução desde 2015, se sabe que estou cada vez melhor… Como ela não me quererá?

 

E, se ela me quiser… Como eu não a quereria?

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 16/03/2025
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