“I would prefer not to.” Essa é a frase proferida pela estranha personagem Bartleby, o escrivão da novela breve de Herman Melville. Como se, ao se negar a cumprir as tarefas para as quais foi contratado, viver no escritório como se fosse seu lar e até mesmo preferir não se alimentar na prisão, ele fizesse uma escolha moral. Como se estivesse revestido de uma certeza absoluta sobre algo que escapava ao entendimento dos reles mortais—e que o impedia de fazer certas coisas. Ou melhor, de preferir não fazê-las. Bartleby, com certeza, não preferiria ser outra pessoa além de si mesmo. Essa estranha personagem, por mais weirdo que seja, é plenamente ele.
E imbuído desse mesmo espírito, dessa mesma certeza, digo: também não preferiria ser outra pessoa além de mim mesmo. Não gostaria de ter outra aparência, saber outras coisas, possuir bens diferentes, receber outra forma de admiração, amor ou desamor dos que me cercam. Não vestiria algo apenas para copiar outro, não preferiria ser outro escritor. Na festa da vida, prefiro ir vestido de mim mesmo—e nenhum outro traje me cai tão bem.
No filme Her, Theodore diz que, às vezes, ele é seu escritor predileto. E pobre daquele que escreve sem nunca ter pensado nisso—sem nunca ter sido ou desejado ser seu próprio autor favorito.
Vocês sabem da admiração que tenho por todos do Recanto, mas, é claro, eu prefiro a mim mesmo. Eu me acho o melhor autor da plataforma. Veja bem, não o melhor escritor, nem o mais inteligente, tampouco o mais culto ou intelectual (embora isso precise ser verificado). Não sou o melhor poeta, algo que não me considero, nem alguém capaz de transformar um espaço vazio em poesia com a magia da escrita—essa disfunção que alguns possuem de criar beleza através da organização das palavras.
É claro que, pelo hábito, às vezes me escapa uma ou outra frase mais bela e inspirada, mas seria muita pretensão me chamar de poeta. Não. Mas sou o melhor autor—ao menos para mim mesmo, que é o que importa. O que escreve o conteúdo com mais originalidade, autenticidade, rico e que mais me apetece, até mesmo quando revestido de banalidade.
E não, esta página não foi hackeada por Edgar Days Vasconcelos. Sou eu, Dave le Dave, falando.
Há quem escreva mais bonito, mas as palavras se perdem no vazio quando não têm significado, alma, potência, força. E eu não escrevo com tinta. Escrevo com sangue.
E quem escreve com sangue, em vez de tinta, como diria Zaratustra, não quer ser apenas lido—quer ser apreendido de cor!