× Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livro de Visitas Contato Links
DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

O HOMEM FAZ OS PLANOS, DEUS RI

Luciana Franklin, a doidinha que todos nós amamos no Recanto, mas que, por algum mal-entendido, infelizmente bloqueou meus comentários, foi quem escreveu, primeiramente, essa frase do título. E é verdade. Eu continuo em casa, meus planos foram frustrados e não consegui internação, nem no pronto-socorro nem no hospital especializado em dependência química da USP. A informação que me passaram de que o caminho seria passar por um psiquiatra do SUS para depois ser encaminhado para os cuidados do hospital da USP foi completamente equivocada. E terei que enfrentar as dores da abstinência sozinho, sem acompanhamento médico, o que pode ser até perigoso.

 

Quando cheguei na triagem do pronto-socorro, já tive um mal pressentimento. Descrevi meu caso para a atendente, todo o risco que corro, e ela classificou como pouco urgente. Talvez pela minha pressão de 12/8, frequência cardíaca de 70 e ótima aparência, parecendo que eu era uma pessoa que nunca havia usado nada ilícito na vida, nem mesmo álcool.

 

Quando fui atendido pelo médico, as impressões negativas se multiplicaram. Era um sujeito novo, recém-chegado em São Paulo, que desconhecia até mesmo o hospital da USP onde faço acompanhamento. Relatei meu caso a ele, sem eufemismos e até dando ênfase ao fato de que estou correndo risco de vida e ao perigo do processo de desintoxicação, principalmente de benzodiazepínicos, como o diazepam, sem supervisão adequada. Ele me ouviu com aquele olhar baço da ignorância, sabe, de um médico inexperiente, com dificuldade até de ter empatia por um caso como o meu, que é de saúde pública. Me pergunto como uma universidade de 6 anos, mais o período de especialização, pode formar um profissional assim tão fraco e incapacitado.
 

E ele era tão novato que teve que se informar com um superior e pedir autorização para ele. E tudo isso nem foi por telefone, foi por WhatsApp. A resposta que recebi foi que não seria possível, e que eu deveria procurar um centro de internação chamado Cratod, localizado na Luz, que receberia todos. Esse centro, pelo que sei, pela história de alguns companheiros da minha primeira internação, é um local estruturado, que cuida bem dos pacientes, oficial, regularizado. Mas ele não recebe a todos e não é tão simples assim conseguir vaga. Além disso, ele se especializou mais em usuários de crack e pessoas mais marginalizadas, como moradores de rua. Eu não me sentiria bem nesse ambiente. E não posso recorrer à antiga clínica onde fui internado, pois ela não aceita contratos menores que três meses, não dá atestado médico e, inclusive, é meio clandestina, sem médicos ou enfermeiros de plantão. Fica no meio do mato, fora dos limites da lei. Não é o que busco. Quero acompanhamento médico, um local regularizado, bem estruturado e, se possível, gratuito. Clínicas de reabilitação são caras, mesmo as clandestinas, custam milhares de reais por mês.

 

Estou tentando entrar em contato agora com o IPq, também da USP, para verificar a disponibilidade de internação durante esse breve período de férias. Mas está difícil. Ontem fiquei muito frustrado. Os saquinhos de cocaína que restavam foram todos parar na minha narina. Mas, por Deus, que seja a última vez. Eu ainda tenho algum dinheiro, mas só por hoje, que é o dilema de quem busca tratamento para dependência, eu não irei comprar nem usar nada. Essa filosofia de “só por hoje” significa viver um dia de cada vez, sóbrio, seguindo os caminhos da recuperação. Renato Russo, outro que sofreu nas garras da adicção, até escreveu uma música com esse título. E essa sabedoria prática de viver um dia de cada vez, mesmo na dor, no sofrimento, é o que procurarei levar em busca da superação.

 

Abaixo compartilho os efeitos da abstinência tanto do diazepam quanto da cocaína, para que vocês vejam que a luta é árdua e até perigosa sem a devida supervisão médica:

 

1. Abstinência de Diazepam (benzodiazepínicos)

 

A abstinência de benzodiazepínicos pode ser perigosa, principalmente se o uso foi prolongado ou em altas doses.

 

• Sintomas comuns: Ansiedade extrema, insônia, tremores, suor excessivo, irritabilidade, palpitações, confusão e, em casos graves, convulsões.

 

• Cuidados imediatos:

 

• Reduza gradualmente, se possível: Se ainda tiver acesso à medicação, tente reduzir a dose lentamente em vez de parar abruptamente. Isso é chamado de desmame, mas idealmente deve ser feito com orientação médica.

• Evite gatilhos de estresse: Crie um ambiente tranquilo, com pouca luz e sons suaves.

• Hidrate-se: Beba água regularmente e mantenha uma alimentação leve.

• Suplementação natural: Camomila, melissa ou valeriana podem ajudar a aliviar sintomas leves de ansiedade, mas não substituem a medicação.

 

2. Abstinência de Cocaína

 

Embora menos perigosa fisicamente, a abstinência de cocaína pode causar sintomas psicológicos intensos.

 

• Sintomas comuns: Depressão, cansaço extremo, irritabilidade, ansiedade, compulsão por dormir, aumento do apetite, paranoia e desejo intenso de usar novamente.

• Cuidados imediatos:

• Mantenha-se hidratado e alimente-se bem: A abstinência pode causar fraqueza, então evite pular refeições.

• Durma o máximo possível: A exaustão é comum, e descansar ajuda o corpo a se recuperar.

• Evite estímulos negativos: Afaste-se de situações ou pessoas que possam desencadear o desejo de usar.

• Pratique respiração profunda para ajudar a controlar a ansiedade.

 

Gostaria de agradecer aos leitores que, de alguma forma, me ajudam ao compartilhar minha experiência. Isso me incentiva bastante. Peço também energias positivas para a minha pronta recuperação.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 24/12/2024
Comentários